Depressão e transtornos no pós-parto

13 de outubro de 2017 por adminhaddad
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Os transtornos emocionais que ocorrem após o parto dependem de fatores biológicos, sociais, psicológicos e hormonais. O transtorno mais comum é o blues ou tristeza puerperal. É bastante frequente, atingindo 60 a 80% das mães. Ocorre principalmente nos primeiros dias de puerpério e pode durar até duas semanas. As principais manifestações são alterações bruscas de humor, choro fácil, sensação de solidão, irritabilidade, perda de apetite e ansiedade.

A depressão pós-parto apresenta sintomas mais intensos que atinge em torno de 10% das puérperas, tem início alguns dias após o nascimento e pode durar até quatro meses. Os sintomas mais comuns são: a ausência de libido, ansiedade, anorexia ou bulimia, com perda ou ganho de peso excessivo, sentimento de incapacidade em assumir a maternidade, pensamentos obsessivos e tendência ao isolamento conjugal, familiar e social.

O transtorno pós parto mais grave, felizmente raro, é a psicose puerperal, que ocorre entre 0,2 e 0,4% das mulheres. Começa já no primeiro dia após o nascimento, podendo durar semanas ou meses. É um quadro psiquiátrico extremamente grave, com características bipolares, incluindo oscilações rápidas entre a indiferença e a agressividade, euforia e depressão, além de alucinações, confusão mental, insônia e agitação.

Mais que a queda brusca de hormônios, como estrogênio e progesterona, é a queda de mensageiros químicos cerebrais, como as endorfinas, que ocorrem após a dequitação ( retirada da placenta após o parto ). A sensibilidade individual diferente de cada mulher a essas alterações parece ser a hipótese mais aceita como desencadeadora dos transtornos emocionais nessa fase. Além da queda dos hormônios femininos, esses quadros depressivos também já foram associados às mudanças na concentração plasmática de prolactina (hormônio que estimula a produção do leite).

É cada vez mais comum a identificação do problema em mulheres que apresentam algum conflito pessoal ou familiar, gravidez não planejada e instabilidade conjugal, profissional ou econômica. Também deve chamar atenção antecedentes de depressão, histórico de TPM significativa, sintomas depressivos e eventos estressantes durante a gravidez.

A primeira opção de tratamento é a prevenção, suficiente para a maior parte dos quadros de distúrbio emocionais do pós-parto. O objetivo principal é reduzir o risco de quadros graves de depressão.

Em caso de blues puerperal, o tratamento é relativamente simples, envolvendo maior atenção conjugal e familiar, além de repouso adequado. As puérperas tendem a superar mais rapidamente o problema quando frequentam grupos de mulheres na mesma situação.

Em situações mais graves, o tratamento deve envolver equipe multidisciplinar, com obstetra, psiquiatra e psicólogo. A psicoterapia de apoio individual, do casal ou mesmo de grupo pode ajudar. Cônjuges e familiares devem ser orientados. Não devemos nos esquecer dos aspectos da vida do casal e das próprias expectativas de mudanças da vida social que podem intimidar ou assustar algumas futuras mães.

Já a depressão pós-parto merece atenção mais cuidadosa do obstetra e, sempre que possível, com a participação do psicólogo e/ou do psiquiatra, dependendo da gravidade do caso, especialmente quando for cogitado o tratamento farmacológico. Levando em conta o período de amamentação, os fármacos considerados mais seguros são os antidepressivos tricíclicos e os inibidores seletivos da recaptura da serotonina.

Algumas regras práticas devem ser lembradas: praticamente todos os medicamentos ingeridos pela nutriz são excretados no leite, geralmente em quantidade mínima, o que reduz os riscos para o lactente. Ansiolíticos, como bromazepam, lorazepam ou diazepam, não devem ser utilizados, pois podem levar à síndrome de abstinência no recém- nascido ( desde agitação motora, tremores, até convulsões).

 

Casos mais graves de psicose puerperal, acompanhada de ideias suicidas e/ou infanticidas requerem tratamento em regime de internação hospitalar.

 

 

Referencias bibliográficas
 
  • BORTOLETTI, F.F et al. Psicologia na prática obstétrica: abordagem interdisciplinar. Barueri, SP: Manole, 2007. 370p.
  • BORTOLETTI, F.F ET AL. Dificuldades psicológicas durante a amamentação. In: ISSLER, H. O aleitamento materno no contexto atual: políticas, prática e bases científicas. São Paulo: SARVIER, 2008. P364-8.
  • MILLIET, S.P.M. Panorama psicológico do puerpério.In: NORONHA, D.T. ET AL. Tocoginecologia osicossomática. São Paulo: ALMED, 1993. P 74-82.
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